Sanitário Compostável – bason

bason pronto
Bason.

O bason é um modelo de sanitário compostável que não necessita de água para o seu funcionamento.

Armazenando os resíduos sólidos humanos junto a serragem, cinzas e restos de alimentos o bason tem como objetivo a produção de adubo orgânico para ser utilizado na agricultura.

Por não utilizar água, a primeira impressão que as pessoas tem ao conhecer o projeto de um bason é de que ele produza mal cheiro. Eu posso confessar que tive o mesmo receio quando ouvi falar pela primeira vez. No entanto, minha impressão mudou quando tomei contato com um. Realmente, por mais incrível que isso possa parecer, o odor é zero!

montando bason
As galerias do bason.

Mas é claro, alguns cuidados devem ser tomados para que o bason realmente funcione. O primeiro deles, e mais importante, é que nenhum liquido deve ser misturado junto às fezes dentro do sanitário. Principalmente a urina, que misturada com as fezes é a principal responsável pelo surgimento de mal cheiro e de patógenos, elementos que podem transmitir ou causar doenças.

Alguns basons são feitos com separadores de urina, que fica armazenada e também serve como adubo na agricultura, após diluída em água.

Outro cuidado importante é evitar que caiam dentro do bason elementos que não sejam biodegradáveis, como plásticos, vidros, metais e borrachas. Podem ser usados na compostagem diversos elementos como: folhas, cinzas, serragem, cascas de alimentos não cozidos e etc. Importante na escolha desses elementos é utilizar aqueles que tenham menor risco de eliminar água durante o processo de compostagem.

Essa é a visão por fora do bason.
Essa é a visão por fora do bason.

Por não utilizar água, o bason reduz um gasto inestimável que as pessoas e governos de diversos países tem com o tratamento de água e esgoto.A estação de tratamento do rio Guandú, que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro, anualmente gasta 26 milhões de reais para purificar, com toneladas de sulfato de alumínio, cloreto férrico e cloro a água que será consumida pela população carioca. Mesmo assim, grandes quantidades de metais pesados ainda podem ser encontrados nessa água.

Evitar que o esgoto seja despejado no rio é um beneficio muito importante para conservação da água. Utilizar esses resíduos como adubo na agricultura é um beneficio ainda maior. Multiplicar uma abordagem técnica que envolva tudo isso de maneira econômica é crucial para a construção de um modelo sustentável de saneamento.

O Sanitário Compostável:

-reduz o gasto exorbitante que se tem para tratar as águas negras transformando-as em águas potáveis.

-elimina o desastre ambiental que é o esgoto despejado em rios e oceanos.

-temperatura constantemente elevada devido a cor da caixa e ao processo de decomposição da matéria orgânica elimina qualquer patógeno.

-diminui os investimentos necessários para obtenção de adubo, obtendo um composto natural e orgânico para uso em sua horta agroecológica.

-possibilita que pessoas que moram em regiões distantes tratem seus resíduos, aonde dificilmente conseguiriam chegar redes de coleta de esgoto.

-é uma solução econômica de aproveitamento de recursos que trabalha na conservação de um dos maiores patrimônios que a Humanidade possui nesse momento; a água.

Por dentro, o bason se parece com um banheiro comum.
Por dentro, o bason se parece com um banheiro comum.

10 comentários em “Sanitário Compostável – bason

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  1. “Podem ser usados na compostagem diversos elementos como: folhas, cinzas, serragem, cascas de alimentos não cozidos e etc. Importante na escolha desses elementos é utilizar aqueles que tenham menor risco de eliminar água durante o processo de compostagem.”

    Comentários:

    1) É preferível não se usar cinzas na câmara de compostagem, pois estas, além de não se decomporem, ainda podem contribuir para alcalinizar demais a mistura em processamento e assim interferir negativamente com o processo de compostagem (Visão doentia: alcalinidade=mata TODOS os microorganismos= interrompe o mau-cheiro/ Visão sana: favorece a proliferação de microorganismos AERÓBIOS= elimina o mau-cheiro do mesmo jeito, porém com muito mais elegância).

    2) Água, na realidade, é um dos requisitos básicos do processo de compostagem (=VIDA!). O que é problemático é o excesso de água/urina, que pode ser facilmente controlado com a incorporação de um sistema simples de drenagem, como o sugerido acima. Da mesma maneira que nos vasos de plantas. Não vamos despejar baldes de água dentro do bason, mas também não precisamos nos preocupar com a eliminação de água no processo de compostagem, pois é recomendável a incorporação de lixo orgânico úmido neste tipo de vaso sanitário. É tudo uma questão de bom senso.

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    1. Muito obrigado por suas contribuições! Os elementos citados acima podem ser usados na composteira, ainda que não exclusivamente. Entre eles, as cinzas são as menos indicadas. E a serragem seria o mais eficaz dentre eles. Tudo depende do tipo de materiais que se possa encontrar disponível na região.
      A água está presente em quase todos os elementos da natureza, inclusive no ar, por isso se deve escolher os que tem menor risco de eliminação de líquidos, para não correr o risco de encharcar o Bason. Um sistema de drenagem seria ideal para o modelo desenhado por Johan Von Lengen.
      Grande abraço!

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  2. Juntamente com a incorporação de drenagem, proponho também mais duas modificações básicas no bason de Van Lengen:

    1) Remover a parede interna, aumentando-se assim o volume útil da câmara de compostagem e, consequentemente possibilitar o aumento do número de usuários por unidade e

    2) Ao invés da abertura de acesso à câmara de compostagem ser em cima, deveria ser na parede frontal, na vertical, para facilitar a retirada do composto com uma pá.

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  3. olá, vamos construir um bason e gostaria de saber sobre a sugestao de retirar a parede interna do bason. Esta parede seria para ajudar na separaçao dos gases? Para que ela foi projetada?

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  4. No bason de van Lengen, a parede interna foi pensada (com muito medo de errar, a meu ver) para duas coisas: primeiro separar o material mais novo daquele mais velho e em segundo lugar para servir de apoio a uma espécie de manivela interna usada para revolver o material mais novo.

    Mas na prática isso representa muito trabalho para pouco retorno em termos de eficácia funcional do processo de compostagem. Melhor é aproveitar todo o espaço interno porque assim se aumenta o volume útil (mais de um metro cúbico; mais que suficiente para processar os dejetos de uns quatro adultos em base contínua, em qualquer lugar do Brasil).

    Os gases entram pelo assento e saem pela chaminé, criando uma pressão negativa que impede os cheiros de incomodarem os usuários. Sem parede interna os gases circulam melhor do assento para a chaminé. Além da oportunidade de oxigenação mais uniforme de toda a massa interna.

    Crucial mesmo é um sistema de drenagem para impedir o mau-cheiro, mais que qualquer outra coisa, exceto a ventilação e o uso apropriado de material celulósico seco para balancear o pocesso de compostagem.

    Se alguém sabe lidar com um vaso de plantas, certamente não terá dificuldade em lidar com um banheiro compostável seco. Vira bicho de estimação.

    Ultimamente, a própria Clivus Multrum abandonou o uso de qualquer divisão interna das câmaras de compostagem, conforme ilustração: http://www.clivusmultrum.es/Clivus%20Multrum%20Presentation.pdf

    Boa sorte, Angela.

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